Para que se chegue a esse ponto, porém, há uma demora de meses. Desde o começo do ano, os moradores da Rua França Pinto, na Vila Mariana, zona sul, esperam o recolhimento de um Citroën batido. "Há uma clínica que atende crianças cadeirantes, onde param várias vans. Esse lugar onde está o carro é uma vaga onde caberia outra dessas vans", observa um dos moradores, o contador Fábio Masri.
Na Rua Alberto Willo, no Planalto Paulista, também na zona sul, os vizinhos reclamam de três carros abandonados. E há lugares em que os veículos ficam por tanto tempo que se tornam casas para moradores de rua.
O chefe de gabinete da Secretaria Municipal das Subprefeituras, Manoel Victor de Azevedo Neto, admite que é um desafio retirar todos os veículos abandonados das ruas. Ele ressalta que, com crédito mais fácil e a indústria automobilística quebrando recordes de produção desde 2004, também aumenta o número de veículos simplesmente descartados. "Já o número de carros que é possível guardar nos pátios é pequeno", afirma. Segundo a Secretaria das Subprefeituras, o ritmo de retirada dos carros vem crescendo. Em 2005, foram 525 automóveis; no ano passado, 1.563 (variação de 197%). Só nos primeiros quatro meses deste ano, já foram 458.
Fonte: O Estado de S. Paulo, 29 de abril de 2012