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Um carro de luxo da Volkswagen, cujo nome em alemão significa "carro do povo"? Se hoje a idéia parece corriqueira, com o Passat W8, o D1, o W12 e outros modelos de alto padrão, ela surpreendeu a muitos quando o Santana chegou ao mercado brasileiro, em abril de 1984. A reportagem é do site Best Cars.
A base do Santana começou a nascer em 1962, quando a VW adquiriu a Audi. Dez anos depois era lançado um novo Audi 80, com a plataforma B1, a primeira a ser utilizada em conjunto pelas marcas. Com base nesse modelo é que a VW extrairia o Passat de primeira geração, apresentado em 1973 na Europa e no ano seguinte no Brasil, seguido lá pela perua Variant. O segundo Audi 80 (plataforma B2) chegava em 1979 e daria origem, em novembro do ano seguinte, ao novo Passat, fruto do projeto Korsar.
A perua Variant era lançada em fevereiro de 1981 e o três-volumes Santana - ambos de quatro portas - apenas em novembro. Seu nome vinha de um vento forte, quente e seco que sopra nas montanhas de Santa Ana, no sudoeste da Califórnia, proveniente do litoral.
Passat e Santana eram iguais até o meio: capô baixo e longo, pára-brisa bastante amplo e inclinado e faróis retangulares, com unidades para neblina junto à grade em algumas versões. Atrás estava a diferença, com o Santana adotando uma traseira alta e elegante, lanternas longas e de perfil baixo em posição elevada, a ponto de os logotipos do modelo e da VW virem abaixo delas. O novo VW era um sedã de quatro portas bonito e contemporâneo, com ampla área envidraçada.
O Santana chegou ao Brasil em abril de 1984 para inaugurar um novo mercado para a Volkswagen. Eram três versões de acabamento, em ordem ascendente: CS (Comfort Silver), CG (Comfort Golden) e CD (Comfort Diamond). Todas disponíveis com duas e quatro portas.
O interior do Santana era amplo, muito bem-acabado (em especial o CD) e confortável para cinco pessoas, com cintos de três pontos - primazia no Brasil - e encostos de cabeça também para dois ocupantes do banco traseiro.
Todo Santana trazia o mesmo motor, um novo 1,8-litro, com carburador de corpo duplo e potência de 92,4 cv (álcool). Também novidade na VW era o câmbio de cinco marchas, com a última bem longa (efeito sobremarcha) para reduzir consumo e ruído em estrada. O desempenho era adequado, com aceleração de 0 a 100 km/h em 11,9 s, mas havia um problema: o nível de aspereza do motor em alta rotação, que destoava de sua imagem refinada.
Em agosto de 1985 era introduzida a Santana Quantum (mais tarde apenas Quantum), a mesma Passat Variant dos europeus, com o atrativo de só existir com quatro portas. O ano de 1986 seria o melhor para ambos nas vendas: 50.701 Santanas e 22.783 Quantum.
No modelo 1988 chegavam novos itens de conveniência: controle elétrico dos vidros com função um-toque e temporizador, este aplicado também à luz de cortesia. Em 1989, o Santana 2000 (e não 2.0, para o associar à virada do milênio então distante) trazia mais 18 cv de potência. A velocidade máxima chegava a 187 km/h e havia força suficiente para retomadas bem mais ágeis.
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Nova década, novo estilo
Em 1990 o Santana já pertencia ao passado na Europa e os importados começavam a invadir o mercado nacional. Uma ampla reestilização era necessária. Inspirada no Passat alemão, no cupê Corrado e no Audi 200 Quattro, a VW brasileira desenvolveu a mais extensa reformulação já vista no carro, que chegou às ruas em abril do ano seguinte.
Do modelo anterior restavam apenas a estrutura básica, a mecânica e as portas, duas de início. Todo o resto era novo. Estava 4,5 cm mais longo e 1,5 cm mais alto. Em agosto a Autolatina, associação Ford/VW criada em 1987, apresentava seu segundo modelo híbrido, ou clone: o Versailles, um Santana reestilizado e com o emblema da Ford.
Embora o mercado nacional já fosse favorável a carros de luxo de quatro portas, esta versão do Santana e do Versailles chegava apenas em outubro, no modelo 1992, junto de uma inovação no Brasil: o sistema antitravamento de freios (ABS) como opção nas versões de topo. Novas evoluções vinham em 1996: grade inspirada no Passat alemão, tanque de combustível em plástico polipropileno, cintos dianteiros com regulagem de altura e uma versão para gás natural com kit de conversão, que o tornava bicombustível.
Já com 12 anos de mercado, a carreira do Santana começava a entrar em declínio. Desde então não houve mais alterações mecânicas: apenas retoques estéticos e trocas de versões, aliados a uma gradual redução de preços para mantê-lo competitivo em um mercado modernizado. A estratégia funcionou: em 1996 foram 41.134 unidades vendidas (mais 11.898 Quantum), segunda melhor marca em sua história.
Em 2002, a Quantum era descontinuada e, em maio de 2006, o Santana enfim despedia-se do mercado. De requinte ou inovação técnica nada mais restava ao veterano Santana, mas ele passou à história com um currículo respeitável. Certamente deixará saudade, por ter sido o primeiro carro nacional de grande produção a reunir características de cruiser, gran routiére, vocábulos em inglês e em francês que definem um carro como próprio para viagem horas a fio em alta velocidade, com conforto e segurança para motorista e passageiros.
Fonte: site Best Cars, novembro de 2010

Categoria: Mundo do Automóvel


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