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Há pelo menos 30 novas construções nas redondezas da rua Tabapuã, calcula o zelador Pedro Queiroz, morador da via desde 1995. Seu prédio, de dez andares, agora ficou "baixinho" perto dos espigões construídos ao lado, atrás e em frente. A consequência direta disso, explica ele, foi no trânsito. Antes já conturbado, agora está cada vez pior, diz. "Levo 40 minutos para ir ao mercado, a quatro quarteirões. Quando me mudei, fazia em 10, em qualquer horário."
O prédio fica no Itaim Bibi, área nobre da zona oeste e o distrito que mais recebeu empreendimentos que provocam congestionamentos na cidade, segundo levantamento inédito feito pela Folha.
Foram 72 de um total de 677 na cidade. A maioria (60%) foi de prédios de escritórios com mais de 120 vagas de garagem.
A pesquisa foi feita a partir de documentos gerados desde 2005 pela Secretaria Municipal de Transportes, que estão sendo analisados pelo Ministério Público.
Considera os chamados polos geradores de tráfego - escritórios, faculdades, hospitais, igrejas e shoppings, por exemplo. Resumindo: eles são grandes, atraem muita gente e seus carros e, consequentemente, travam o trânsito da região.
Para que recebam autorização para funcionar, a secretaria exige que façam obras para compensar esse impacto.
Zona Oeste
No período de sete anos da pesquisa, 677 desses empreendimentos foram construídos ou ganharam "puxadinhos". Há ainda alguns em construção, como o estádio de Itaquera (zona leste).
Entre os dez distritos que mais receberam essas construções, metade está na região oeste: Barra Funda, Vila Leopoldina, Pinheiros e Morumbi, além do Itaim.
A outra metade se divide entre a zona sul (Santo Amaro, Vila Mariana e Campo Grande) e o centro (Bela Vista e Consolação).
Já os bairros mais afastados pouco receberam os benefícios - e transtornos - desse tipo de investimento.
"É preciso resgatar a ideia de desenvolver os subcentros da cidade, como Santo Amaro, Penha e Santana, pois mais de 85% dos motivos de deslocamento são emprego e escola. Essas atividades ficaram concentradas no centro expandido, que já estava saturado", diz Flamínio Fichmann, urbanista especialista em trânsito.
Sem metrô
O destaque para o Itaim se deu por três razões principais, dizem especialistas: o incentivo para desenvolver a região facilitado pela operação urbana Faria Lima (de 1995); a presença de lotes grandes, onde havia galpões e indústrias, que deram lugar a grandes prédios; e o fato de o bairro ter um mercado consumidor de renda e escolaridade acima da média.
Thiago Guimarães, especialista em mobilidade, aponta a inexistência do metrô na região como um agravante para o caos no trânsito. "Que pelo menos façam transporte coletivo paralelamente e olhem alternativas para chegar de ônibus mais rápido."
Emprego longe de casa dificulta o trânsito
Na cidade dos sonhos dos planejadores urbanos, poucos moradores teriam de sair de sua vizinhança para trabalhar, comprar, se divertir, estudar.
Muito seria feito a pé. Carro seria um luxo, e haveria um bom transporte coletivo quando necessário.
Infelizmente, São Paulo é o avesso desse sonho.
A densidade populacional é grande onde não há emprego. Já o emprego, principalmente no setor de serviços, o que mais cresce, aparece onde morar é caro.
Resultado: multidões cruzam a cidade de manhã para ir ao trabalho e à noite para voltar para casa.
Segundo um estudo, a população do centro expandido de São Paulo (área de aproximadamente 150 quilômetros quadrados entre os rios Pinheiros e Tietê e que concentra a maioria dos empregos) teve queda de 13% em sua população residente entre 1997 e 2007. Nas áreas mais afastadas, houve acréscimo de 13%.
A situação se inverteu um pouco nos últimos anos, mas as distorções persistem.
Somados, os moradores das regiões central e oeste equivalem a apenas 36% dos que vivem na zona leste.
É o que explica a estimativa de que 3 milhões de pessoas, quase a população do Uruguai, se desloquem todo dia da zona leste para as demais.
Isso significa quilômetros de congestionamentos, ônibus, trens e metrô lotados.
Os dados levantados agora pela Folha sobre a distribuição de novos polos geradores de tráfego na cidade acrescentam mais um dado nessa distorção paulistana.
O bairro do Itaim Bibi, famoso por seus congestionamentos, é o recordista na construção desses polos.
Foram 72 concluídos ou aprovados de 2005 até este ano - 10,6% do total. Desses, 43 (60%) são escritórios.
Como a grande maioria dos empregados desses escritórios não pode pagar o alto custo da moradia no bairro, a cidade ganha mais deslocamentos.
Para voltar à comparação com população, o Itaim sozinho, com 92,5 mil habitantes (dados de 2010), teve quase o mesmo número de novos polos de trânsito que a zona leste toda (89), região que abriga mais de 4 milhões.
Fonte: Folha de S. Paulo, 28 de maio de 2012

Categoria: Geral


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