Em novembro de 1966 a indústria nacional estava prestes a receber um automóvel realmente inovador no mercado. Como lembra Marcos Camargo Jr., no site Webmotors, o verdadeiro divisor de águas na indústria brasileira de automóveis, em sua opinião, foi visto pela primeira vez no 5º Salão do Automóvel de 1966, no Parque do Ibirapuera, em São Paulo: era o Ford Galaxie.Os primeiros Galaxies brasileiros chegaram aos distribuidores Ford em fevereiro de 1967 e tinham design totalmente atualizado em relação ao modelo feito nos Estados Unidos. O mesmo não se podia dizer da parte mecânica. O grande sedã não tinha pretensões de economia e não era um modelo acessível. Ao contrário: era caro e luxuoso, com porte avantajado de 5,3 m de comprimento e 2 m de largura.
Inúmeras alterações ao longo dos anos foram feitas neste carro, que sempre foi símbolo de luxo no mercado nacional. Ganharia as versões LTD e Landau, que integravam um novo pacote de acabamento e opcionais, como ar-condicionado e transmissão automática, o primeiro carro brasileiro a oferecer essa comodidade. O Galaxie reinou absoluto em seu segmento e sobreviveu a modelos como o Opala e os da linha Dodge. Mas o tempo passou, veio a crise do petróleo, novos carros compactos chegaram e o Galaxie não recebeu as inovações que deveria, ficando desatualizado.
O golpe final foi dado pela própria Ford no início da década de 1980, com o lançamento do Del Rey, uma versão luxuosa do Corcel II, com vários itens de conforto, para tentar ocupar a lacuna do Landau, único modelo sobrevivente ainda em produção. Em 1980 foi lançado o Landau a álcool, que teve 2.492 unidades produzidas.
Em abril de 1983 o Galaxie foi oficialmente aposentado pela Ford. Numa carta dirigida à imprensa, ela se referiu ao modelo como um verdadeiro marco para a indústria. Ao todo, 77.647 automóveis da linha foram fabricados.
Mas quem é rei não perde a majestade. E por isso ainda é possível ver inúmeros Galaxie 500, LTD e Landau em encontros de carros antigos, nas ruas, e garagens dos seus felizes proprietários. "Mesmo grande demais e muito beberrão, conduzir um carro desses é uma experiência agradável, tamanho é o seu conforto. Palavra de um admirador da linha Galaxie e ex-proprietário de um Landau", conclui Camargo Jr.
Fonte: site Webmotors, julho de 2008
