Dados obtidos pelo jornal mostram que, entre maio do ano passado (um mês antes do início da medida) e maio deste ano, a velocidade média nos horários de pico apresentou queda. Pela manhã, esse índice passou de 30 km/h para 25 km/h (-16,6%). E, no horário de pico da tarde, de 17 km/h para 15 km/h (-11,7%). Uma carroça puxada por dois cavalos consegue um desempenho de 28 km/h. Isso sem contar que, no dia 10 de junho, véspera de um feriado prolongado, a Capital registrou o maior congestionamento da história, com 293 km de extensão.
Os dados de "Resumo Mensal" da Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) abrangem os índices até o mês passado. No rush da tarde, com a velocidade média registrada atualmente, um carro leva quase cinco vezes mais tempo para percorrer os 24,5 km da Marginal do Tietê do que se estivesse desenvolvendo a velocidade limite permitida na pista expressa. Com o desempenho atual, esse percurso leva 1h30, quando poderia ser completado em 20 minutos, caso o trânsito estivesse fluindo normalmente no limite de 90km/h.
A diminuição da velocidade média já havia sido registrada no ano passado, mesmo com a série de medidas adotadas no segundo semestre para dar mais fluidez ao trânsito - a Prefeitura também extinguiu vagas de estacionamento em pelo menos cinco bairros para criar mais faixas de rolagem. No pico da manhã, a velocidade média foi de 18 km/h, ante 22 km/h de 2007, queda de 18,1%. O fenômeno foi inverso no pico da tarde, quando houve uma alta de 14,8% - passou de 27 para 31km/h. As médias dos maiores congestionamentos registrados no pico da manhã e da tarde, nos cinco primeiros meses de 2009, são de 87 e 121 km, respectivamente. Em 2008, esses índices eram de 91 e 129 km de extensão. Por enquanto, uma redução de 4,3% no congestionamento da manhã e de 12,9% na lentidão da tarde.
Quando as regras de circulação de caminhões foram anunciadas no ano passado, a Prefeitura estimou uma redução de 17% nos índices de congestionamento na Capital. O decreto municipal proíbe que caminhões grandes circulem por uma área de 100 km² dentro do centro expandido das 5h às 21h. Já os caminhões menores, chamados Veículos Urbanos de Carga (VUCs), têm de respeitar um rodízio de placas pares e ímpares das 10h às 16h. Isso até novembro, quando a secretaria deve estender aos VUCs as mesmas restrições dos caminhões.
O cálculo das médias de lentidão e de velocidade é feito de formas distintas pelos técnicos da CET. No primeiro caso, a medição toma por base o congestionamento máximo de cada dia registrado no horário de pico. E a velocidade é medida de acordo com o tempo de percurso de veículos de passeio escolhidos aleatoriamente na hora do rush. São coletadas cinco amostras, sempre no sentido de maior fluxo.
Especialistas se dividem sobre a eficácia de medida
Para o ex-secretário de Transportes Adriano Branco, a redução da velocidade média nos picos demonstra que o espaço liberado pelos caminhões nas ruas já foi tomado pelos automóveis, uma vez que a frota paulistana cresceu 6,2% nos últimos 12 meses. "Só oferecendo quantidade maior de transporte público vamos atingir o cerne da questão." Já o consultor Jorge Hori apoia as medidas restritivas a caminhões e adota o discurso do "ruim com elas, pior sem". "Não se deve comparar com a situação anterior (de congestionamentos e velocidade média), mas com o que seria se essas regras não tivessem sido aplicadas", afirma.
Fonte: O Estado de S. Paulo, 29 de maio de 2009