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O novo prefeito e a mobilidade urbana

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Por Jorge Hori*

Dentro da estratégia do novo prefeito de São Paulo de privilegiar micro-ações que geram notícias na mídia, dando-lhe visibilidade e aceitação popular, os problemas estruturais ainda não foram atacados.

Segundo ele mesmo prometeu, em relação à mobilidade urbana, três ações pontuais estão previstas: revisão das velocidades nas marginais, revisão da rede de ciclovias, regulamentação dos aplicativos para os serviços pagos de transporte individual. Embora necessárias, pouco afetarão a situação de mobilidade urbana, a qual tende a piorar com a retomada do crescimento da economia.

Um dos efeitos esperados pelos analistas e pelo governo, com a redução dos juros, é a retomada do financiamento de automóveis. Com isso haverá um novo aumento do tamanho da frota, refletindo-se na maior movimentação de veículos e aumento dos congestionamentos.

Os catastrofistas alertam para o fato de que, "se nada for feito", a cidade vai parar. Ou vai entrar em colapso. Até vai. Mas e daí? Como vai ser o dia seguinte?

No cenário mais pessimista, a cidade entrará em colapso, estimulando a saída de atividades econômicas e de pessoas para outras cidades, seja dentro do Brasil, como na América Latina, ou ainda para qualquer outra cidade no mundo. O problema da mobilidade urbana será resolvido pelo esvaziamento e empobrecimento da cidade.

Não é isso que os paulistanos que têm opções almejam. Querem que a cidade continue crescendo economicamente, mas com redução dos congestionamentos nas vias públicas.

Diante desse desejo contraditório, a alternativa que os idealistas propõem, em primeiro lugar, é substituir a movimentação das pessoas por transporte coletivo, em vez do transporte individual motorizado.

Para que isso ocorra, é necessário que os serviços de transporte coletivo ofereçam uma qualidade capaz de convencer o paulistano a deixar de usar automóvel para usar o transporte coletivo.

Enquanto isso não ocorre, uma parte importante dos paulistanos continuará tolerando e enfrentando os congestionamentos em vez de passar a usar os ônibus, o trem metropolitano ou o metrô.

O ônibus é o principal meio de transporte de toda população. O sentido social do serviço requer uma tarifa baixa, de forma a ser acessível a todos. O mesmo sentido social leva os governantes e a Justiça a não adotar ou impedir o estabelecimento de tarifas diferenciadas por distância das linhas.

O resultado efetivo dessa política é que os ônibus estão cheios e repelem os usuários de maior renda que têm a opção de usar o carro.

Doria, movido por motivos populistas, congelou a tarifa dos ônibus, o que piora para os usuários que podem usar o carro.

A mobilidade urbana em São Paulo vai piorar sensivelmente em 2017 e pode anular todo o esforço de marketing do prefeito em ser melhor aceito pela população.

Os paulistanos terão oportunidade de perceber melhor o embelezamento da cidade promovido pelo prefeito, parados ou em marcha lenta no trânsito. Mas com que humor?

* Jorge Hori é consultor em Inteligência Estratégica e foi contratado pelo SINDEPARK para desenvolver o estudo sobre a Política de Estacionamentos que o Sindicato irá defender. Com mais de 50 anos em consultoria a governos, empresas públicas e privadas, e a entidades do terceiro setor, acumulou um grande conhecimento e experiência no funcionamento real da Administração Pública e das Empresas. Hori também se dedica ao entendimento e interpretação do ambiente em que estão inseridas as empresas, a partir de metodologias próprias.

NOTA:

Os artigos assinados não refletem necessariamente a opinião do SINDEPARK.


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