Por muitos anos, os painéis recheados de telas foram símbolos de carros do futuro. Essa tendência, entretanto, começa a ser revertida - por motivos de segurança. Isso acontece porque especialistas constataram: a falta de botões físicos compromete a sensibilidade do tato e obriga o motorista a olhar as telas para operá-las. Dessa forma, ele observa menos a estrada e corre mais riscos de se acidentar. Esse entendimento ganhou ainda mais força recentemente, quando os órgãos responsáveis pela avaliação de segurança em carros anunciaram o "rebaixamento" da nota de veículos que tiverem excesso de telas e escassez de botões.
Por que botões são importantes
Um desses órgãos é o Euro NCAP, responsável pelos crash-tests na Europa e uma das entidades com critérios mais rígidos do mundo. Segundo suas novas diretrizes, para que um carro obtenha cinco estrelas na avaliação é obrigatório que comandos essenciais sejam feitos por meios físicos. Dessa forma, itens como setas, limpadores, buzina e luzes só podem ser operados por meio de alavancas e botões tradicionais. Caso o comando seja feito pela multimídia, por exemplo, haverá descontos na pontuação. Situação parecida é a do ar-condicionado: nesse caso, o comando até pode estar na multimídia, mas os ícones devem ficar fixos na tela o tempo inteiro. Caso seja preciso navegar por menus até acessar o botão de temperatura e vento, há descontos também.
Segundo o órgão, a mudança se deu após observações de uso das novas tecnologias no mundo real. "A cada três anos, reexaminamos nossos critérios de classificação por estrelas com o simples objetivo de reduzir mortes e ferimentos graves relacionados a veículos", afirmou o Euro NCAP. A repressão ao excesso de telas nos painéis é amparada por diferentes pesquisas acadêmicas. Uma delas, publicada recentemente na revista científica sueca Vi Bilägare, comparou 11 carros modernos com um Volvo V70 de 20 anos atrás, com vários botões físicos. Diferentes voluntários foram ordenados a dirigir a 110 km/h (em um aeroporto fechado) e realizar comandos de ajustes de rádio e temperatura em seus respectivos carros. No Volvo antigo, as tarefas foram executadas em cerca de dez segundos e ao longo de 306 minutos. Nos carros com centrais multimídias grandes, a média ficou em 20 segundos, com o MG Marvel R (SUV elétrico) demandando 44,6 s e 1.372 m para as mesmas funções. Isso também tem a ver com a facilidade de entendimento dos menus. Por conta dessa questão, o Euro NCAP ainda avaliará a legibilidade e o design das interfaces.
O protocolo também define que indicadores como de velocidade, status de ADAS (os sistemas de assistência semiautônoma à condução) e luzes devem ficar dentro do campo visual direto do condutor, sem depender apenas da tela central. Por fim, elementos em touchscreen precisam ter áreas de toque suficientemente grandes e separadas, para evitar que o dedo pressione o lugar errado. (Imagem: divulgação)
UOL Carros do Futuro, 02/12/2025
