Previsto para 2030, o Parque Municipal Campo de Marte, na zona norte de São Paulo, está sendo projetado como um polo esportivo. Além de instalações tradicionais – ginásio poliesportivo, quadras de tênis e percursos para corrida e caminhada –, o Consórcio Campo de Marte prevê parque de skate, área de BMX (bicicross), paredão de escalada e até uma piscina com ondas. A concessionária vai gerir o espaço pelos próximos 35 anos.
A empresa prevê restaurantes, centros comerciais, espaços de convivência, um museu do surfe, academia e hotel, além de um projeto para plantar espécies nativas da Mata Atlântica em uma área de 150 mil m² do parque. “É um projeto com duas diretrizes claras: uma é um parque esportivo, onde o esporte terá o protagonismo; e a outra é a restauração ambiental”, afirmou ao Estadão Rafael Carvalho, um dos sócios da concessionária.
O Parque Campo de Marte, com quase 385 mil m² de área, fica em Santana, adjacente ao aeroporto homônimo e próximo à Marginal Tietê e ao Anhembi. O acordo com o consórcio foi firmado em janeiro de 2025, por meio de contrato avaliado em R$ 614 milhões.
As obras não começaram. A Prefeitura está em processo de reintegração de posse da área, que era ocupada de forma irregular por clubes de futebol de várzea, segundo a administração. Concluída esta fase, o espaço será transferido para a concessionária, dando início à concessão de 35 anos. Segundo a Prefeitura, “os trâmites para a emissão da ordem de início das obras do Parque Campo de Marte estão em andamento”.
Nas projeções de Carvalho, a transferência deve acontecer até o início de setembro. Depois, a concessionária deve ter seis meses para apresentar os projetos arquitetônico e de restauração ambiental da área.
“Se tudo correr bem, (o tempo de construção será de) quatro anos e vamos entrar em operação em 2030”, afirma.
MODALIDADES OLÍMPICAS. O parque terá espaços para modalidades recém-incluídas nos Jogos Olímpicos, como surfe, BMX, skate e escalada. Um dos destaques será uma piscina de ondas — a primeira pública no País, segundo o empresário.
As modalidades olímpicas mais tradicionais também devem ser contempladas. São previstos um ginásio esportivo multiuso para 10 mil pessoas, centro de tênis, espaço para prática de lutas marciais e a manutenção de cinco campos de futebol, que já eram usados pelos clubes de várzea.
As entidades poderão continuar a usar os campos e fazer seus torneios, mas não terão exclusividade.
Público, mas não de graça
Uso de espaços e equipamentos não serão totalmente gratuitos e terão cobrança
Embora não seja prevista a cobrança de entrada, os espaços e equipamentos não serão totalmente gratuitos. A concessionária deve reservar parte da grade para uso livre de pagamento, que será administrada pela Prefeitura. Mas, nos demais horários, será cobrado aluguel. “É público, mas não significa que será de graça.”
RECEITAS. Conforme Carvalho, a piscina de ondas deve gerar custo em torno de R$ 150 milhões a R$ 185 milhões, enquanto o ginásio poliesportivo terá mais R$ 100 milhões de investimento. “Manutenção para um equipamento (parque) deste porte é cara.”
O contrato entre Prefeitura e concessionária determina que ao menos R$ 202 milhões devem ser previstos para custos com “intervenções obrigatórias” e na construção de empreendimentos que permitem ao consórcio “a criação de fontes de receita que tenham sinergia com o parque”.
Entre as alternativas de exploração comercial do espaço, o empresário cita construir hotel, restaurantes, bares e academia. E cita a organização de eventos, shows, venda de naming rights de equipamentos esportivos, patrocínios, aluguel do espaço para produção de peças publicitárias e estacionamento são outras alternativas de fontes de receita.
Como obras obrigatórias, estão previstos cinco campos de futebol e um centro de convivência com sedes que poderão ser ocupadas pelos clubes de várzea. Cada um terá banheiro, vestiário e churrasqueira.
A manutenção dos campos e das sedes está no acordo que Prefeitura e concessionária fizeram com os clubes de várzea, que já ocupavam a área.
O projeto determina a restauração ambiental de mais de 150 mil m² no parque, hoje tomada por leucenas, espécie invasora de fácil proliferação. A proposta é remover as leucenas e plantar espécies nativas da Mata Atlântica. (Imagem: CNB)
O Estado de S. Paulo - Metrópole - SP - 30/08/2026
