Na feira, qualquer banca tem uma oferta variada de motivos para entender o que está acontecendo com o nosso dinheiro. “O saco de cebola era R$ 50, essa semana está R$ 70. A mesma quantidade de cebola”, explica o feirante.
Nas compras, qualquer um sabe bem que está precisando tirar mais do bolso para levar a mesma quantidade.
Os preços não subiam tanto em um mês de novembro desde 2015. O IPCA, o índice oficial da inflação, fechou em alta de 0,89%. No ano, a inflação acumula alta de 3,13%. E nos últimos 12 meses, de 4,31%. Este resultado está acima do centro da meta do governo, que é de 4%.
Foi na hora de abastecer a geladeira e a despensa que mais percebemos a alta de preços. E uma alta que a gente não via há 18 anos. Os preços dos alimentos subiram 2,54% em novembro. No acumulado do ano, 12,14%. É o maior índice desde 2002.
Mas em 2020 alguns alimentos tiveram reajustes ainda mais pesados. Entre os que mais subiram estão: óleo de soja (94,1%), tomate (76,51%), arroz (69,5%), feijão fradinho (59,97%) e a batata inglesa (55,9%).
O economista Luiz Roberto Cunha diz que os preços dos alimentos sofreram pressão porque o dólar alto favoreceu as exportações de alguns produtos, sobrou menos para ser vendido aqui e o consumo no Brasil aumentou.
“Isso tira renda do bolso do consumidor, porque, embora alguns você possa substituir, outros são muito básicos no dia a dia da alimentação das pessoas. Eu diria que a inflação voltou a ser uma preocupação”, avalia Luiz Roberto Cunha, professor de economia da PUC-Rio.
Fonte: Jornal Nacional, 08/12/2020
