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Endividamento das famílias e comprometimento da renda

O Banco Central do Brasil divulgou as estatísticas monetárias e de crédito referentes ao mês de agosto que mostraram que o endividamento das famílias chegou a 50,1% da renda acumulada em 12 meses. É o maior patamar da série histórica iniciada em março de 2011 e a primeira vez que ultrapassa o patamar de 50%. O comprometimento da renda com o serviço da dívida atingiu 29%, também o recorde histórico.

O QUE OS NÚMEROS MOSTRAM?

-  Endividamento das Famílias (%): 50,1% em agosto (+0,2 p.p. no mês, +0,3 p.p. no trimestre e +1,2 p.p. em 12 meses). Em fevereiro de 2020, antes da pandemia, era 41,5%;

-  Comprometimento da renda (%): 29,0% em agosto (+0,2 p.p. no mês, +0,5 p.p. no trimestre e +1,4 p.p. em 12 meses). É 6,4 p.p. acima de fevereiro de 2020 (22,6%) e 9,2 p.p. acima da mínima de agosto de 2020 (19,8%);

-  Ponto Importante: o endividamento sem financiamento imobiliário (31,0%) segue abaixo do pico de outubro de 2022 (31,6%). A alta do total vem sobretudo do crédito habitacional, que passou de 18,3 p.p. para 19,1 p.p. da renda em 12 meses, ou seja, 0,8 dos 1,2 p.p. de aumento. Já o comprometimento, que mede o peso das parcelas e dos juros no orçamento mensal, está em recorde mesmo sem o imobiliário (+1,3 p.p. em 12 meses): a pressão vem do crédito de curto prazo e mais caro.

-  A metodologia do Banco Central é diferente da Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (PEIC), publicada mensalmente pela FecomercioSP.

MOTIVOS

-  Juros altos por muito tempo. A Selic ficou em 15% até o início de 2026, o maior nível desde 2006, e só agora cai de forma gradual (13,75% atualmente). O custo para o consumidor ainda não acompanhou já que a taxa média do crédito livre às famílias chegou a 61,8% ao ano em agosto, alta de 1,5 p.p. no mês e de 2,4 p.p. em 12 meses;

-  Crédito crescendo mais rápido que a renda;

-  Inadimplência também em recorde;

-  Modalidades caras pesam. Juros do rotativo giram em torno de 445% ao ano

POSSÍVEIS IMPACTOS PARA OS SETORES DE COMÉRCIO E SERVIÇOS

-  Menos folga no orçamento: com 29% da renda destinada a parcelas, tende a haver mais seletividade em compras parceladas e de maior valor, justamente no período de Black Friday e Natal.

-  Risco no crediário e no cartão da loja: vale reforçar a análise de crédito e oferecer renegociação antes que o atraso se prolongue. (Imagem: arquivo CNB)

Assessoria Econômica FecomercioSP, 30/10/2026

Categoria: Geral


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