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Bateria de carro elétrico dura mais que a do celular, confirma estudo com 20 mil veículos

Dados de telemetria mostram degradação média de apenas 2,3% ao ano; após 8 anos, componente mantém 80% da capacidade original

Um estudo global realizado pela Geotab, empresa especializada em telemetria, está ajudando a desmistificar um dos principais receios dos consumidores em relação aos carros elétricos: a durabilidade das baterias. A boa notícia é que o componente dos carros mostra resultados bem melhores do que a bateria dos celulares, que viciam rápido.

A empresa acompanhou 22 mil veículos com a tecnologia, de 21 modelos diferentes, durante um longo período e descobriu que a degradação anual das baterias é, em média, de 2,3%. Na prática, isso significa que, mesmo após oito anos de uso, o componente ainda mantém cerca de 80% da capacidade original.

A degradação da bateria, porém, não significa que o veículo deixa de funcionar. Assim como acontece com celulares e outros dispositivos eletrônicos, as células perdem gradualmente parte da capacidade de armazenamento de energia ao longo dos anos, reduzindo a autonomia disponível.

Recarga rápida é principal fator de desgaste

A Geotab também analisou os fatores que mais contribuem para acelerar a degradação das baterias. Segundo o levantamento, o principal ponto de atenção são os ciclos frequentes de recarga rápida em corrente contínua.

Embora esse tipo de carregamento seja uma grande vantagem dos veículos elétricos, especialmente em viagens longas, seu uso recorrente pode aumentar o desgaste das células.

De acordo com o estudo, os carros que realizavam recargas frequentes em corrente contínua acima de 100 kW chegavam a uma degradação de 3% da bateria ao ano. Esse índice é o dobro da degradação registrada em modelos que carregavam majoritariamente em corrente alternada ou em potências mais baixas.

A diferença ocorre porque a recarga rápida transfere uma grande quantidade de energia em pouco tempo, elevando a temperatura do conjunto e exigindo mais das células.

Como aumentar a duração da bateria dos carros elétricos

A recomendação, portanto, é utilizar recargas mais lentas no dia a dia e limitar o carregamento a cerca de 80% sempre que possível. Manter a bateria por longos períodos em níveis muito baixos ou muito altos também pode acelerar o desgaste.

Muitos modelos, inclusive, emitem alertas quando o carregamento chega aos 80%, indicando que esse é o nível recomendado para preservar a saúde da bateria.

Temperatura e uso também influenciam

A temperatura ambiente também aparece como um fator de risco. Em regiões onde o clima é mais quente, a degradação das baterias foi 0,4 ponto percentual maior do que em locais com temperaturas mais amenas.

Já o uso intenso do veículo apresentou impacto menor do que outros fatores analisados. O estudo da Geotab apontou uma diferença de apenas 0,8 ponto percentual entre carros utilizados em condições severas e moderadas.

Para comparação, a própria Geotab destaca que fatores como recarga rápida frequente e exposição a temperaturas elevadas têm influência mais significativa na vida útil das baterias do que simplesmente a quantidade de quilômetros rodados.

Impacto no mercado de usados

No Brasil, dados como esses podem ajudar a aumentar a confiança dos consumidores no mercado de veículos elétricos usados. A preocupação com a substituição das baterias é uma das principais barreiras para compradores que avaliam adquirir modelos seminovos.

Além disso, a análise da saúde das baterias por meio de telemetria pode se tornar uma ferramenta importante para determinar o valor de revenda desses veículos, oferecendo mais transparência sobre as condições reais do componente.

Para os frotistas, a tecnologia também é uma aliada, ajudando a ampliar os ganhos operacionais, melhorar o planejamento e aumentar a previsibilidade dos custos de manutenção, além de auxiliar na realocação e substituição dos veículos. (Imagem: divulgação)

Jornal do Carro, 04/08/2026

Categoria: Geral


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