A população mundial está vivendo cada vez mais e isso vale para os motoristas em circulação. Por motivos óbvios, a legislação de trânsito não determina um limite de idade para dirigir - no Brasil, a diferença é que, quanto mais velho o motorista, menor é o prazo para a renovação da respectiva CNH (Carteira Nacional de Habilitação), que requer a aprovação em exame médico.
Para condutores com até 50 anos de idade, a validade é de uma década; o prazo cai para cinco anos a condutores de 50 a 69 anos; já quem tiver 70 anos ou mais deve renovar a habilitação a cada três anos. A redução gradual no prazo considera a natural diminuição nas capacidades sensoriais e cognitivas à medida que a pessoa vai envelhecendo. Mesmo assim, a hora certa para parar de dirigir é um tema delicado. Pensando nisso, a General Motors acaba de patentear uma tecnologia para monitorar motoristas de veículos da montadora e subsidiá-los com dados objetivos para que saibam se estão melhorando ou piorando com o passar do tempo.
Câmeras embarcadas servem, por exemplo, para detectar se o condutor está apertando os olhos com mais frequência, a fim de enxergar melhor. Os microfones do viva-voz servem para captar o som de buzinas de outros automóveis. Além disso, dados de aceleração, frenagem e esterçamento podem indicar manobras bruscas - sigilosas, essas informações são tratadas e cruzadas com dados como idade do usuário. Em casos extremos, a própria General Motors poderá avisar familiares e cuidadores do motorista se houver indicação de dificuldade de dirigir de forma segura.
Qual é a hora certa de parar? Segundo a OMS (Organização Mundial da Saúde), a população idosa cresce em ritmo acelerado e deve dobrar até 2050. Com o avanço da medicina, destaca a instituição, leva-se mais tempo para que os sinais do tempo atrapalhem o motorista. Eles, entretanto, chegam em algum momento, e é difícil apontar quando isso acontece. Ao mesmo tempo que reconhece o risco ampliado aos idosos, a Abramet (Associação Brasileira de Medicina do Tráfego) destaca que proibir alguém com mais idade de dirigir pode causar outros problemas.
"Para a pessoa idosa, o conceito de saúde se dá pela condição de autonomia e independência que ele apresenta, sendo mais relevante que a presença ou ausência de doença orgânica", diz estudo da Abramet. O problema é que não existe método eficaz e de fácil aplicação que possa avaliar a competência de condução da pessoa idosa. "A idade cronológica não deve ser o único indicador da capacidade de condução de um veículo automotor", reforça a associação. No máximo, há exemplos de países como o Brasil e a Suíça, onde motoristas com 70 anos ou mais precisam passar por uma avaliação médica a cada 2 anos para manter a carteira. No país europeu, o médico aplica um teste determinado por lei e que já cumpre papel de atenção básica.
Na Suíça, o exame periódico verifica audição, visão e distúrbios psicológicos, neurológicos, musculoesqueléticos, cardiovasculares, respiratórios e metabólicos que podem afetar a direção. A opinião médica é especialmente importante para que um idoso seja recomendado a largar o volante, diz a Abramet. Isso porque a opinião profissional é vista como mais embasada e sem viés pessoal.
Mas o órgão reforça que, em geral, dirigir é benéfico para as pessoas mais velhas. "É consenso, entre os médicos especialistas em medicina do tráfego, que as pessoas idosas que dirigem devem manter sua CNH, desde que possam conduzir com segurança", conclui a associação. (Imaqgem: divulgação)
UOL Carros, 10/09/2025
