Não é uma boa hora para financiar aquele imóvel ou carro dos sonhos, mas é um bom momento para guardar seu dinheiro e deixá-lo rendendo. Ou, pelo menos, é assim que o Banco Central gostaria que você pensasse neste momento.
O BC elevou a taxa Selic a 15% ao ano, o que significa que o crédito é mais caro do que esteve em algum tempo. Foram sete aumentos consecutivos em nove meses.
Nas alturas. Nos últimos dez anos, a última vez que a taxa básica de juros esteve perto do patamar atual foi de 2015 a 2016, quando foi determinada em 14,25%.
O novo aumento leva a tarifa referencial ao nível mais alto desde julho de 2006, quando foi introduzido em 15,25% ao ano;
Naquela época, os juros iniciaram uma trajetória de queda depois de um pico de 19,75% ao ano, durante o escândalo do mensalão, em 2005.
Tá bom ou quer mais? Segundo o que o Copom (Comitê de Política Monetária) escreveu no comunicado em que divulga a nova taxa, tá bom. O grupo prevê uma interrupção no ciclo de alta na próxima reunião, para ver os resultados do que foi acumulado até agora.
Motivos. O colegiado justificou os 15% ao ano dizendo que as expectativas de inflação ainda estão distantes da meta e a atividade econômica continua mostrando força e o mercado de trabalho segue como uma pressão sobre os preços.
Na visão do comitê, a política monetária tem que estar em um modo “significativamente contracionista”, ou seja, de um jeito que faz segurar todo o dinheiro nos bolsos por algum tempo.
Não é bom estar inseguro com o que pode acontecer na economia doméstica em um momento em que a economia global está muito complicada –como agora, com a guerra comercial e as tensões no Oriente Médio.
A iniciativa do BC também faz parte da vontade de manter a casa arrumada, caso ela seja atingida pelo que vem de fora.
Economia 101. Tudo isso serve para segurar a inflação, que, em uma definição simplista, é o aumento do nível dos preços. Aumentar a taxa básica de juros ajuda a aquecer a economia e, por consequência, a baixar os valores nas etiquetas.
UOL, 19/06/2025
