Parking News

Oportunidades para os estacionamentos

 

Por Jorge Hori* - Depois de muito tempo, estive em Brasília, supostamente uma ilha da fantasia, que não está em toda a cidade, mas sim restrita a pequenos núcleos. De resto, Brasília continua uma cidade árida, seca, onde se respira mal, apesar da imensidão do espaço, com congestionamentos de tráfego na hora do almoço e um problema insolúvel, maior que qualquer outro para o brasiliense no Plano Piloto: faltam vagas de estacionamento. Um dos maiores privilégios da elite política brasiliense é ter vagas próprias, devidamente reservadas.

O Pinatella continua sendo um tradicional restaurante dos políticos, mas perdeu prestígio e clientela. Não estava cheio no horário de almoço no meio da semana. Aparentemente lá não é mais um centro de decisões políticas como foi anteriormente. Mudaram para outros restaurantes e casas. Mas a República do Isopor segue a plena força.

Por outro lado, restaurantes da moda estão lotados, com fila de espera. Não se consegue almoçar ou jantar no Madero ou no Coco Bambu, sem reservas ou chegando cedo. Como em São Paulo. Não há as diferenças que os paulistanos imaginam e as conversas lá “fervilham”, igual ao que acontece em São Paulo.

A ilha da fantasia está na fantasia dos outros. Não dos brasilienses.

É preciso estar mais próximo do centro do poder para perceber as mudanças. Fora disso só se sabe o que a mídia acha que é notícia.

Dois dos meus interlocutores na Capital Federal foram recém-demitidos, ou melhor, exonerados, mas seguem na Administração Federal. Por conta do “toma lá, dá cá” e do jogo político. No Senado, a mudança decorreu de um arranjo político estadual, promovido pelo presidente do Senado. Já no Executivo, além de nomeações de indicações políticas para o terceiro e o quarto escalão, houve mudanças no segundo escalão, para pagar compromissos adotados pelo Governo em apoio à Reforma da Previdência e em troca do apoio de senadores à indicação de Eduardo Bolsonaro para a Embaixada do Brasil nos EUA.

O secretário nacional da Mobilidade Urbana, um competente técnico, foi substituído por um representante de forças políticas de Pernambuco, favoráveis ao Governo. Este está rompendo as promessas de não adotar o “toma lá, dá cá”, mas o presidente, com as suas declarações bombásticas, todos os dias desvia a atenção da mídia e do público em geral.

Jean Pejo, o ex-secretário nacional da Mobilidade Urbana, em seis meses, desenvolveu um excepcional conjunto de medidas que irão melhorar a mobilidade urbana, nos próximos anos, focadas na melhoria dos transportes coletivos de média e alta capacidade.

A troca de um técnico por um político não altera substancialmente os rumos gerais do setor. O político não se interessa em criar novos programas, será mais lento na implantação e selecionará as prioridades dentro dos programas, segundo critérios políticos. No caso, os redutos políticos a serem atendidos prioritariamente. São Paulo não estará dentro desses.

A implantação dos programas deverá resultar no aumento do uso de metrô, VLT e BRT, com a redução do transporte individual. Este terá um papel complementar de “primeira e última perna”, levando as pessoas de casa até a estação e de lá para casa.

Poderão ir com o seu carro e estacionar próximo, usar um táxi, chamar por um aplicativo ou ainda usar bicicleta, patinete e outros.

Os estacionamentos junto às estações serão uma grande oportunidade de negócios para o setor, mas terão a concorrência dos aplicativos, das bicicletas e patinetes.

* Jorge Hori é consultor em Inteligência Estratégica e foi contratado pelo SINDEPARK para desenvolver o estudo sobre a Política de Estacionamentos que o Sindicato irá defender. Com mais de 50 anos em consultoria a governos, empresas públicas e privadas, e a entidades do terceiro setor, acumulou um grande conhecimento e experiência no funcionamento real da Administração Pública e das Empresas. Hori também se dedica ao entendimento e interpretação do ambiente em que estão inseridas as empresas, a partir de metodologias próprias.

NOTA:

Os artigos assinados não refletem necessariamente a opinião do SINDEPARK.


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